Existem duas Selic, e confundir as duas é o erro mais comum de quem procura essa informação. A primeira é a taxa meta anual definida pelo Copom, hoje em 14,25% ao ano, que aparece no noticiário. A segunda é a Selic efetiva de cada mês, divulgada pela Receita Federal, que em junho de 2026 ficou em 1,12%. É essa segunda que serve para corrigir valores em contratos, calcular juros de mora em tributos e atualizar dívidas. Nesta página você encontra a tabela completa mês a mês, o índice acumulado e exemplos resolvidos de como usar cada um deles.
Quem precisa corrigir um valor, calcular o juro de um pagamento atrasado ou atualizar uma quantia prevista em contrato acaba chegando à mesma pergunta. Qual Selic eu uso, e como faço a conta?
A curadoria VITALE reuniu aqui a tabela completa, mês a mês, o índice acumulado e, principalmente, o passo a passo de cada tipo de cálculo, com exemplos resolvidos. É uma página de consulta, feita para ser guardada nos favoritos e usada sempre que você precisar. Os dados oficiais podem ser conferidos no sistema SICALC, da Receita Federal, e na página do Copom, no Banco Central.
As duas Selic, e por que quase todo mundo confunde
Antes de qualquer conta, é preciso resolver essa confusão, porque ela é a origem de quase todo erro de cálculo.
A Selic meta é a taxa básica de juros da economia, definida pelo Copom a cada quarenta e cinco dias e expressa em percentual ao ano. É ela que aparece nas manchetes, hoje em 14,25% ao ano. Ela orienta o custo do dinheiro no país inteiro, influencia o crédito, os investimentos e a inflação, e é uma decisão de política monetária.
A Selic efetiva mensal é outra coisa. Ela é o resultado real observado a cada mês, divulgado em percentual mensal, e é a que a Receita Federal utiliza para corrigir valores e calcular juros. Em junho de 2026, por exemplo, ela ficou em 1,12%. É esse número, e não os 14,25%, que entra na conta de quem precisa atualizar uma quantia.
| Característica | Selic meta | Selic efetiva mensal |
|---|---|---|
| Quem define ou divulga | Copom, no Banco Central | Apurada e divulgada pela Receita Federal |
| Como é expressa | Percentual ao ano | Percentual do mês |
| Valor de referência | 14,25% ao ano | 1,12% em junho de 2026 |
| Para que serve | Política monetária e custo do crédito | Correção de valores e juros de mora |
| Onde aparece | Noticiário econômico | Contratos, tributos e processos |
NotaComparação elaborada pela curadoria VITALE. Os valores de referência correspondem a julho de 2026 e mudam a cada reunião do Copom e a cada mês encerrado.
Guarde a regra prática. Se você está falando de economia, cenário e custo do crédito, use a taxa meta anual. Se você está fazendo uma conta para corrigir um valor, use a tabela mensal que apresentamos a seguir.
O que é o índice acumulado
Ao lado da taxa de cada mês existe um segundo número, o índice acumulado, e ele é a ferramenta mais poderosa desta página.
O índice acumulado é a soma de todas as taxas mensais da Selic desde janeiro de 1995. Como ele é uma soma, e não uma multiplicação, basta subtrair o índice de um mês do índice de outro para saber exatamente quanto a Selic acumulou entre eles.
Essa característica torna a correção de valores muito simples. Em vez de somar mês a mês, você pega o índice do mês final, subtrai o índice do mês inicial, e o resultado já é o percentual acumulado do período. Um cálculo que pareceria trabalhoso vira uma única subtração.
Vale registrar o motivo técnico dessa lógica. Os juros de mora federais são calculados de forma simples, e não composta, justamente por isso o índice é construído por soma. É uma escolha da legislação que favorece o contribuinte em prazos longos, e conhecê la evita cálculos inflados por engano.
Tabela Selic mês a mês, de 2022 a 2026
A seguir, a tabela completa. A primeira coluna traz o mês, a segunda a taxa Selic efetiva daquele mês e a terceira o índice acumulado ao fim do período.
2026
| Mês | Taxa Selic do mês | Índice acumulado |
|---|---|---|
| Junho | 1,12% | 436,80 |
| Maio | 1,07% | 435,68 |
| Abril | 1,09% | 434,61 |
| Março | 1,21% | 433,52 |
| Fevereiro | 1,00% | 432,31 |
| Janeiro | 1,16% | 431,31 |
2025
| Mês | Taxa Selic do mês | Índice acumulado |
|---|---|---|
| Dezembro | 1,22% | 430,15 |
| Novembro | 1,05% | 428,93 |
| Outubro | 1,28% | 427,88 |
| Setembro | 1,22% | 426,60 |
| Agosto | 1,16% | 425,38 |
| Julho | 1,28% | 424,22 |
| Junho | 1,10% | 422,94 |
| Maio | 1,14% | 421,84 |
| Abril | 1,06% | 420,70 |
| Março | 0,96% | 419,64 |
| Fevereiro | 0,99% | 418,68 |
| Janeiro | 1,01% | 417,69 |
2024
| Mês | Taxa Selic do mês | Índice acumulado |
|---|---|---|
| Dezembro | 0,93% | 416,68 |
| Novembro | 0,79% | 415,75 |
| Outubro | 0,93% | 414,96 |
| Setembro | 0,84% | 414,03 |
| Agosto | 0,87% | 413,19 |
| Julho | 0,91% | 412,32 |
| Junho | 0,79% | 411,41 |
| Maio | 0,83% | 410,62 |
| Abril | 0,89% | 409,79 |
| Março | 0,83% | 408,90 |
| Fevereiro | 0,80% | 408,07 |
| Janeiro | 0,97% | 407,27 |
2023
| Mês | Taxa Selic do mês | Índice acumulado |
|---|---|---|
| Dezembro | 0,89% | 406,30 |
| Novembro | 0,92% | 405,41 |
| Outubro | 1,00% | 404,49 |
| Setembro | 0,97% | 403,49 |
| Agosto | 1,14% | 402,52 |
| Julho | 1,07% | 401,38 |
| Junho | 1,07% | 400,31 |
| Maio | 1,12% | 399,24 |
| Abril | 0,92% | 398,12 |
| Março | 1,17% | 397,20 |
| Fevereiro | 0,92% | 396,03 |
| Janeiro | 1,12% | 395,11 |
O ponto de partida desta série é dezembro de 2022, quando a taxa do mês foi de 1,12% e o índice acumulado fechou em 393,99.
NotaFonte dos dados: sistema SICALC, da Receita Federal. Percentuais mensais efetivos da Selic e respectivo índice acumulado. Esta página é atualizada mensalmente pela curadoria VITALE. Para cálculos oficiais, confirme sempre no sistema da Receita Federal e com o seu contador.

Quanto a Selic acumulou em cada ano
Olhar o ano inteiro ajuda a enxergar o movimento com clareza, e o resultado é revelador.

Em 2023, a Selic acumulou 12,31%. Em 2024, o ritmo desacelerou e o acumulado caiu para 10,38%, o menor do período. Em 2025 veio a virada, com o acumulado saltando para 13,47%, refletindo o aperto monetário que levou a taxa meta ao pico de 15% ao ano. Nos seis primeiros meses de 2026, o acumulado já soma 6,65%.
Esse desenho conta a história recente da economia brasileira em três atos. Um ano de juros altos, um ano de alívio e um novo aperto, seguido do início de um ciclo de cortes gradual em 2026. Para quem tem valores a corrigir, isso significa que o período em que a dívida ou o crédito ficou em aberto pesa muito no resultado final.
Como corrigir um valor entre duas datas
Este é o cálculo mais comum e o mais simples de todos, graças ao índice acumulado.
A regra é direta. Pegue o índice acumulado do mês final, subtraia o índice acumulado do mês inicial, e o resultado é o percentual de correção do período. Depois é só aplicar esse percentual sobre o valor original.
| Passo | Exemplo prático |
|---|---|
| Valor original | R$ 200.000,00, referente a janeiro de 2024 |
| Índice do mês inicial | 407,27, referente a janeiro de 2024 |
| Índice do mês final | 436,80, referente a junho de 2026 |
| Diferença entre os índices | 436,80 menos 407,27, resultando em 29,53% |
| Correção em reais | R$ 200.000,00 multiplicado por 29,53%, resultando em R$ 59.060,00 |
| Valor corrigido | R$ 259.060,00 |
NotaExemplo didático elaborado pela curadoria VITALE com base na tabela desta página. Confirme sempre o cálculo aplicável ao seu caso com um contador ou advogado.
Repare como a subtração dos índices elimina a necessidade de somar trinta meses um a um. É por isso que profissionais que lidam com correção de valores trabalham sempre com o índice acumulado, e não com as taxas isoladas.
Como calcular juros de mora em tributo federal
Este é o uso mais técnico da tabela, e o que mais gera dúvida. Ele aparece, por exemplo, quando alguém paga com atraso o imposto sobre o ganho de capital na venda de um imóvel.
A regra de cálculo dos juros de mora federais tem uma particularidade importante. Somam-se as taxas mensais da Selic a partir do mês seguinte ao do vencimento até o mês anterior ao do pagamento. No mês do pagamento, aplica-se um percentual fixo de 1%, independentemente de qual tenha sido a Selic daquele mês.
| Etapa do cálculo | Aplicação no exemplo |
|---|---|
| Situação | Tributo de R$ 60.000,00 vencido em janeiro de 2026 e pago em julho de 2026 |
| Meses que entram na soma | De fevereiro a junho de 2026, o mês anterior ao pagamento |
| Soma das taxas do período | 1,00 mais 1,21 mais 1,09 mais 1,07 mais 1,12, resultando em 5,49% |
| Percentual do mês do pagamento | 1,00% fixo, referente a julho de 2026 |
| Total de juros de mora | 6,49% |
| Juros em reais | R$ 60.000,00 multiplicado por 6,49%, resultando em R$ 3.894,00 |
NotaExemplo didático da curadoria VITALE. Além dos juros de mora, costuma incidir multa de mora calculada por dia de atraso, com limite legal. Consulte sempre o seu contador para o cálculo oficial.
Dois detalhes fazem diferença aqui. O primeiro é que o mês do vencimento não entra na soma, o que muita gente inclui por engano. O segundo é que o 1% do mês do pagamento é fixo, então não adianta procurar a Selic daquele mês na tabela, ela não se aplica a essa etapa.
Vale lembrar que os juros de mora são apenas uma parte da conta. Em atrasos de tributos federais, também incide multa de mora, calculada por dia de atraso e limitada a um teto legal. Por isso o cálculo completo deve sempre passar pelo seu contador.
Como corrigir valores em contratos imobiliários
No mercado imobiliário, a Selic aparece com frequência como índice de correção, e conhecer esse uso protege quem compra e quem vende.
Ela costuma ser adotada em situações como a devolução de valores em um distrato, a atualização de quantias em acordos e composições, a correção de valores discutidos judicialmente e a atualização de parcelas em contratos que a elegem como indexador.
| Passo | Exemplo de devolução em distrato |
|---|---|
| Valor pago pelo comprador | R$ 150.000,00, em março de 2025 |
| Índice do mês do pagamento | 419,64, referente a março de 2025 |
| Índice do mês da devolução | 436,80, referente a junho de 2026 |
| Correção acumulada | 436,80 menos 419,64, resultando em 17,16% |
| Correção em reais | R$ 150.000,00 multiplicado por 17,16%, resultando em R$ 25.740,00 |
| Valor corrigido a devolver | R$ 175.740,00 |
NotaExemplo didático da curadoria VITALE. O índice de correção aplicável, eventuais retenções e as condições da devolução dependem do contrato e da legislação. Consulte o seu advogado.
Este exemplo mostra por que ler o índice de correção previsto em contrato é tão importante. A diferença entre corrigir um valor pela Selic, pelo IPCA ou por um índice da construção civil pode ser expressiva ao longo de meses, e essa cláusula costuma passar despercebida na assinatura.
A nossa recomendação prática é simples. Antes de assinar qualquer contrato imobiliário, identifique qual índice corrige cada valor, em que periodicidade e a partir de que data. Essa é uma das cláusulas que mais impactam o bolso e uma das que menos recebem atenção.
A Selic meta e o momento atual
Voltemos agora à outra Selic, a do noticiário, porque ela explica o contexto por trás dos números da tabela.

A taxa meta chegou a 15% ao ano em meados de 2025, o maior patamar em quase duas décadas. A partir de 2026, o Copom iniciou um ciclo de cortes graduais, levando a taxa a 14,75%, depois a 14,50% e, em junho, a 14,25% ao ano, onde permanece.
É um movimento real de alívio, e ao mesmo tempo modesto diante do patamar. Catorze por cento ao ano continua sendo um juro alto para qualquer economia, e a continuidade dos cortes depende do comportamento da inflação, que segue pressionada pelo cenário externo. Por isso o mercado trata a trajetória com cautela, e não como certeza.
O que a Selic faz com o mercado imobiliário
Para quem acompanha imóveis, vale entender como essa taxa chega até o setor, porque o caminho não é direto.
O financiamento imobiliário é abastecido principalmente pela poupança e por instrumentos próprios do setor, e não acompanha a Selic na mesma intensidade nem na mesma velocidade. Isso é uma proteção importante, e explica por que o crédito imobiliário não dispara toda vez que a taxa básica sobe.
Ainda assim, a influência existe e é relevante. Uma Selic alta encarece o custo do dinheiro na economia, torna a renda fixa mais atrativa e faz bancos e investidores exigirem mais retorno. O efeito aparece em taxas de financiamento mais altas, crédito mais seletivo e um comprador que pensa duas vezes antes de assumir uma parcela longa.
| Quando a Selic está alta | Quando a Selic está em queda |
|---|---|
| Crédito mais caro e mais seletivo | Financiamento tende a ficar mais acessível |
| Renda fixa concorre com o imóvel | Ativo real volta a ganhar atratividade |
| Comprador adia decisões | Demanda represada tende a se realizar |
| Negociação mais favorável a quem tem capital | Preços tendem a reagir com a procura maior |
NotaLeitura de mercado da curadoria VITALE, que não constitui recomendação de investimento. Cada decisão deve considerar a situação individual do cliente.
Existe uma observação que a nossa curadoria faz questão de registrar. No alto padrão, essa relação é mais suave. O comprador de altíssimo padrão frequentemente não depende do financiamento, e usa o crédito como ferramenta de alocação, e não como necessidade. Some a isso a base econômica de Cuiabá, sustentada pelo agronegócio, que tem ciclo próprio e não obedece ao calendário do Copom.
Os erros mais comuns ao usar a tabela
Reunimos aqui os enganos que mais aparecem, para que você não perca tempo nem dinheiro com eles.
- Usar a taxa meta anual em um cálculo mensal. Aplicar 14,25% onde deveria entrar 1,12% infla o resultado de forma grosseira.
- Incluir o mês do vencimento na soma dos juros de mora. A contagem começa no mês seguinte, e esse detalhe muda o resultado.
- Procurar a Selic do mês do pagamento. Nessa etapa o percentual é fixo em 1%, qualquer que tenha sido a taxa daquele mês.
- Somar as taxas mês a mês tendo o índice acumulado disponível. É trabalho desnecessário e abre espaço para erro de digitação.
- Aplicar juros compostos. Os juros de mora federais são simples, e é justamente por isso que o índice é construído por soma.
- Usar a Selic quando o contrato prevê outro índice. O que manda é a cláusula contratual, e não o índice mais conhecido.
Se restar qualquer dúvida sobre qual índice aplicar no seu caso, a resposta certa é consultar um contador ou advogado. Esta página é uma ferramenta de consulta e de entendimento, e não substitui a orientação profissional para um cálculo oficial.
A VITALE e a informação que orienta decisões
Na VITALE, acreditamos que informação clara é a base de qualquer boa decisão de patrimônio. Por isso mantemos esta página atualizada mês a mês, com os números oficiais e os exemplos resolvidos que faltam na maioria das fontes disponíveis.
Se você está avaliando a compra, a venda ou o financiamento de um imóvel de alto padrão em Cuiabá e Várzea Grande, e quer entender como o cenário de juros afeta a sua decisão, a nossa equipe está pronta para colocar os números na mesa ao seu lado.


