Permuta no alto padrão: o que o mercado aceita, o que ele recusa e quem paga a comissão

Permuta no alto padrão: o que o mercado aceita, o que ele recusa e quem paga a comissão

Rodrigo Pacheco··12 min de leitura
Foto de Rodrigo Pacheco Vital, Sócio Fundador e CMO da VITALE Investimentos
Escrito por
Rodrigo Pacheco Vital
Sócio Fundador e CMO da VITALE · No alto padrão de Cuiabá desde 2013 · CRECI/MT 10.816-J
Publicado em 14 de julho de 2026
Em resumo

A permuta é uma das ferramentas mais utilizadas no mercado de alto padrão e luxo, e funciona quando o comprador entrega um bem que já possui, como um imóvel ou um carro, como parte do pagamento. Só que existe uma verdade que quase ninguém explica. Não é todo bem que entra como permuta. O critério que decide tudo é a liquidez, e a pergunta que o vendedor faz em silêncio é sempre a mesma. Esse bem que estão me oferecendo vende mais rápido do que o meu? Se a resposta for sim, o negócio nasce. Se for não, ele morre ali, por mais bonito que seja o bem oferecido.

Poucos assuntos do alto padrão são tão debatidos e tão mal compreendidos quanto a permuta. Ela aparece em uma fatia enorme das negociações de luxo, resolve impasses que dinheiro nenhum resolveria e, ao mesmo tempo, produz frustrações que poderiam ser evitadas com uma conversa honesta no início.

Neste conteúdo, a curadoria VITALE abre o mecanismo por completo. O que é permuta, por que ela existe, qual o critério real que faz um bem ser aceito ou recusado, exemplos concretos dos dois lados, a matemática da operação e, no fim, a pergunta que mais gera dúvida em todo o mercado, que é quem paga a comissão da imobiliária.

O que é permuta e por que ela domina o alto padrão

Permuta é a troca. Na prática do mercado imobiliário, ela acontece quando o comprador entrega um bem que já possui como forma de pagamento de uma aquisição, no lugar de entregar apenas dinheiro.

Esse bem pode ser um outro imóvel, como uma casa, um apartamento ou um terreno, e pode ser um carro. Tudo depende da disponibilidade de quem compra e, principalmente, do aceite de quem vende.

No alto padrão, essa ferramenta é extremamente utilizada, e a razão é simples. Quem compra um imóvel de luxo raramente está começando do zero. Essa pessoa já construiu patrimônio, e boa parte desse patrimônio está imobilizado em bens que ela já não usa como antes. O apartamento onde a família morava quando os filhos eram pequenos. O terreno comprado anos atrás. O carro que já cumpriu o seu ciclo.

A permuta é o que transforma esse patrimônio parado em poder de compra imediato, sem que a pessoa precise primeiro vender, esperar o mercado responder e só então comprar. Ela encurta o caminho entre o que você tem e o que você quer.

E ela resolve um problema que o dinheiro sozinho não resolve, que é o tempo. Vender um imóvel de alto padrão leva meses. Quem espera vender para depois comprar corre o risco de perder o endereço que queria, porque endereço bom não espera ninguém.

A pergunta que decide tudo

Aqui está o coração deste conteúdo, e é a parte que o mercado quase nunca verbaliza com clareza.

Quando alguém oferece um bem em permuta, o vendedor do imóvel de maior valor não está avaliando se aquele bem é bonito, se custou caro ou se tem valor sentimental. Ele está fazendo uma única pergunta, e ela é fria.

Esse bem que estão me oferecendo tem mais liquidez do que o meu próprio produto? Se eu aceitar, eu troco um problema difícil de vender por um problema mais fácil de vender?

É isso, e nada além disso. O vendedor não quer o bem do comprador. Ele quer se livrar do próprio imóvel, e a permuta só faz sentido se ela o aproxima desse objetivo em vez de afastá lo.

Repare na consequência lógica dessa pergunta, porque ela é impiedosa. Um bem pode valer muito e ainda assim ser recusado, porque valor e liquidez não são a mesma coisa. Um barracão de dois milhões pode ser recusado enquanto um apartamento de oitocentos mil é aceito na hora. Não é uma questão de preço. É uma questão de quantas pessoas querem aquilo e em quanto tempo elas aparecem.

A escada da liquidez e a matemática do ticket

Existe uma lógica de mercado que explica por que o vendedor aceita permuta mesmo sabendo que vai ficar com um bem para vender depois. E essa lógica é matemática pura.

O mercado imobiliário é uma pirâmide. Quanto mais alto o ticket, menos gente existe para comprar. Um imóvel de cinco milhões de reais tem um público muito restrito em qualquer praça do Brasil. Um imóvel de dois milhões tem um público muito maior. Um de um milhão, maior ainda.

Gráfico 1. A escada da liquidez. Quanto maior o ticket, menor o número de compradores disponíveis no mercado.

Agora acompanhe o raciocínio do vendedor, porque ele é elegante.

Ele tem um imóvel de cinco milhões, e sabe que o público para esse ticket é pequeno. Aparece um comprador que oferece dois milhões e meio em permuta e paga o restante com recurso próprio ou financiamento. Se ele aceitar, o que acontece?

Ele deixa de ter um problema de cinco milhões e passa a ter um problema de dois milhões e meio. E existe muito mais gente no mercado com capacidade para dois milhões e meio do que para cinco. Ou seja, ele desceu a escada, e cada degrau que se desce aumenta a quantidade de compradores possíveis.

Some a isso o fato de que ele já embolsou metade do valor em recurso. Ele saiu de uma posição totalmente imobilizada para uma posição com dinheiro no caixa e um ativo mais vendável na mão. Essa é uma troca inteligente, e é por isso que a permuta acontece o tempo todo no luxo.

Só que existe uma condição, e ela não é negociável. O bem recebido precisa ter liquidez de verdade. Não basta ter ticket menor. Se o vendedor recebe um bem de dois milhões e meio que ninguém quer, ele não desceu a escada, ele apenas trocou um imóvel caro e difícil por um ativo mais barato e igualmente difícil, e ainda por cima com menos valor. Isso não é estratégia, é prejuízo.

A régua final é esta. O vendedor precisa olhar para o bem oferecido e enxergar que, se ele aplicar um desconto ali, aquilo gira rápido no mercado. Quando essa condição existe, a permuta é uma jogada brilhante. Quando ela não existe, é uma armadilha bem embalada.

O que faz uma permuta ser boa

Depois de anos conduzindo negociações de alto padrão em Cuiabá e Várzea Grande, a nossa curadoria enxerga um padrão muito claro no que o mercado aceita com facilidade.

Permutas boas são bens que o mercado deseja e que giram rápido. E existem atributos que se repetem em praticamente todas elas.

AtributoO que o mercado buscaPor que isso gera liquidez
Tipo de produtoCasa em condomínio fechado, apartamento bem localizado, terreno em condomínio consolidadoSão os produtos com maior demanda real e público mais amplo
LocalizaçãoEndereço consolidado, com infraestrutura e segurançaLocalização é o único atributo que não se corrige depois
Idade do imóvelMais novo, com padrão construtivo atualImóvel novo dispensa obra e entra pronto no mercado
Valor do condomínioTaxa condominial equilibradaCondomínio caro afasta comprador e trava a revenda
Área de lazerCompleta e bem conservadaÉ o que o público de alto padrão mais valoriza hoje
EstéticaBonito, bem cuidado, com apelo visualBeleza vende, e vende rápido
Custo de manutençãoBaixo e previsívelReduz o carrego de quem fica com o bem até a revenda
Desejo de mercadoProduto que as pessoas procuram sozinhasDemanda espontânea é o melhor indicador de liquidez

Quadro elaborado pela curadoria VITALE a partir da prática de negociação no alto padrão de Cuiabá e Várzea Grande. Cada operação é avaliada individualmente.

Se você reparar bem, todos esses atributos apontam para a mesma coisa. Eles descrevem um bem que outra pessoa quer comprar rapidamente. É isso que o vendedor está procurando, e é isso que faz a permuta ser aceita.

O que faz uma permuta ser ruim

Agora o outro lado, e aqui a VITALE precisa ser franca, porque essa franqueza economiza meses de frustração para todo mundo.

Permutas ruins não são bens ruins. Muitos deles são excelentes para quem os usa. Eles são apenas bens sem liquidez, e liquidez é a única moeda que interessa nessa mesa.

SituaçãoPor que o mercado recusa
Barracão comercial na saída da cidadeProduto exclusivo demais, com público minúsculo e tempo de venda longuíssimo
Área ou sala comercial mal localizadaDepende de um perfil muito específico de comprador, que raramente aparece
Terreno em loteamento sem infraestruturaSem estrutura e longe de tudo, ele não tem demanda espontânea
Imóvel em bairro periférico com questão de segurançaSegurança é critério eliminatório no alto padrão, e o público simplesmente não vai
Casa no centro movimentadoO comprador de alto padrão migrou para o morar fechado e tranquilo
Apartamento muito antigo, sem área de lazerFalta o que o mercado mais busca hoje, e a revenda trava
Prédio com taxa de condomínio extremamente altaO custo mensal assusta o comprador e derruba o valor do ativo
Casa extremamente malcuidadaExige obra pesada, e obra afasta quem compra pronto
Condomínio antigo sem lazer e sem manutençãoPerdeu o atributo que sustenta a demanda no segmento

Leitura da curadoria VITALE sobre os motivos mais frequentes de recusa de permuta no alto padrão. A recusa não é um julgamento sobre o bem, e sim sobre o tempo de venda dele.

Existe um erro clássico que se repete quase toda semana no mercado, e ele merece nome. É a tentativa de trocar um ativo ilíquido por um ativo desejado. O cliente quer uma casa em condomínio fechado e oferece um barracão no fim da cidade. Do ponto de vista dele, o valor é equivalente. Do ponto de vista do vendedor, é uma proposta para trocar um imóvel que vende em meses por um ativo que pode levar anos.

E é aqui que precisamos dizer algo importante e humano. A recusa não é uma ofensa ao bem de ninguém. Um barracão pode ser um excelente investimento, ter ótima rentabilidade e fazer todo sentido no patrimônio de quem o comprou. Ele apenas não serve como moeda nessa mesa específica, porque o vendedor não quer virar dono de barracão. Ele quer vender o imóvel dele e seguir a vida.

O termômetro de liquidez da permuta

Para organizar essa leitura de forma visual, a nossa curadoria construiu um termômetro. Ele não é uma tabela oficial de mercado, e sim a tradução honesta do que observamos na prática, todos os dias, nas mesas de negociação do alto padrão da nossa praça.

Gráfico 2. O termômetro de liquidez da permuta, na leitura da curadoria VITALE. Quanto mais alto o grau, maior a chance de aceite.

Repare em um detalhe que salta aos olhos. Os bens do topo do termômetro têm algo em comum, que é a existência de demanda espontânea. Alguém procura por eles sem que ninguém precise convencer. Os bens da base exigem que se encontre um comprador muito específico, e encontrar comprador específico é justamente o que consome tempo.

Use esse termômetro como bússola e não como sentença. Cada negociação tem contexto, e um bem no meio da escala pode ser aceito com o desconto certo, na hora certa, para o vendedor certo.

Casos práticos de aceite e de recusa

Nada explica melhor que exemplos. Reunimos hipóteses que representam situações reais de mercado, com o desfecho mais provável de cada uma.

Hipóteses que costumam ser aceitas

Aquisição pretendidaPermuta oferecidaPor que o vendedor aceita
Casa de R$ 4,5 milhões em condomínio fechadoApartamento novo de R$ 1,8 milhão, bem localizado, com lazer completoTicket muito mais líquido e produto de demanda espontânea
Casa de R$ 5 milhões nos FloraisCasa de R$ 2,5 milhões em condomínio consolidado, bem conservadaDesce a escada pela metade e recebe um ativo que gira
Apartamento de R$ 3 milhõesTerreno de R$ 900 mil em condomínio consolidadoTerreno em condomínio maduro tem público real e carrego baixo
Casa de R$ 2,5 milhõesApartamento de R$ 1 milhão em endereço valorizado, mais recursoProduto no ticket de maior giro do mercado
Casa de R$ 6 milhõesCasa de R$ 2 milhões em condomínio, mais carro premium seminovoCombinação de ativo líquido com bem de conversão rápida

Hipóteses que costumam ser recusadas

Aquisição pretendidaPermuta oferecidaPor que o vendedor recusa
Casa de R$ 3 milhões em condomínio fechadoBarracão de R$ 1,5 milhão na saída da cidadeProduto exclusivo, público minúsculo e venda longuíssima
Apartamento de R$ 2,5 milhõesTerreno de R$ 700 mil em loteamento sem infraestruturaSem estrutura e longe de tudo, não tem demanda espontânea
Casa de R$ 4 milhõesCasa de R$ 800 mil em bairro periférico com questão de segurançaSegurança é critério eliminatório para o público do segmento
Casa de R$ 3,5 milhõesApartamento de R$ 600 mil, 30 anos, sem lazer, condomínio altoFalta tudo o que o mercado busca e o carrego é pesado
Apartamento de R$ 2 milhõesSala comercial de R$ 500 mil em prédio antigo no centro movimentadoNicho específico, sem liquidez e com vacância frequente
Casa de R$ 4,5 milhõesCasa de R$ 1,2 milhão extremamente malcuidada, exigindo obra pesadaObra afasta comprador e come a margem do desconto

Hipóteses ilustrativas construídas pela curadoria VITALE para representar situações recorrentes de mercado. Não se referem a negociações específicas, e cada caso real é avaliado individualmente.

Coloque as duas tabelas lado a lado e o contraste fica evidente. Nas hipóteses aceitas, o vendedor recebe algo que o mercado procura. Nas recusadas, ele recebe algo que ele mesmo teria dificuldade de vender. O valor declarado é quase irrelevante nessa comparação. O que decide é o tempo.

O carro como permuta, um caso à parte

O carro merece um capítulo próprio, porque ele se comporta de forma diferente de qualquer imóvel.

A grande virtude do carro é a liquidez. Um veículo de boa marca, bem conservado e com histórico limpo se converte em dinheiro com uma velocidade que nenhum imóvel alcança. Existe mercado consolidado, existe tabela de referência pública e existe demanda constante. Na prática, um carro líquido chega perto de ser quase dinheiro.

Só que a virtude tem limite, e o limite é o valor. Carros mais acessíveis, dentro das faixas de maior procura, giram com facilidade. Conforme o veículo sobe de faixa, ele começa a se comportar como imóvel de altíssimo padrão, ou seja, o público encolhe, o tempo de venda estica e a desvalorização pesa. Um superesportivo pode ser uma joia e ainda assim ser uma péssima permuta, exatamente pelo mesmo motivo que um barracão é.

Vale lembrar de uma diferença estrutural que muita gente esquece na hora da conta. Imóvel tende a valorizar ao longo do tempo. Carro desvaloriza, e desvaloriza todo mês. Isso significa que o vendedor que aceita um carro está segurando um ativo que perde valor enquanto não vende, e por isso ele costuma ser mais rigoroso com prazo e com preço.

Por essas razões, o carro raramente é o eixo de uma permuta no alto padrão. Ele quase sempre entra como complemento, ajustando a conta e destravando o negócio nos últimos metros. E funciona muito bem nesse papel.

Quem paga a comissão da imobiliária

Chegamos ao ponto que mais gera dúvida no mercado inteiro, e que quase ninguém explica direito.

Antes de tudo, um esclarecimento honesto. Não existe lei nem decreto definindo essa divisão. O que existe é uma prática de mercado tão consolidada que virou quase um mantra entre profissionais sérios, e ela funciona por uma lógica que faz todo sentido quando você entende o mecanismo.

A regra é a proporcionalidade, e ela se resume assim.

Quem pagaSobre o quêPercentual
O vendedor do imóvel de maior valorSobre aquilo que ele recebe em recurso, seja à vista, seja financiado5% ou 6%, conforme o combinado
O comprador que entrega a permutaSobre aquilo que ele entrega em permuta, seja imóvel, terreno ou carro5% ou 6%, conforme o combinado

Repare na elegância dessa construção, porque ela é a chave de tudo. A imobiliária não recebe a mais nem a menos por existir permuta no negócio. Ela recebe exatamente o mesmo percentual sobre o valor total da operação. O que muda é apenas a proporção de quem paga o quê.

A comissão total continua sendo o percentual combinado sobre o valor cheio do imóvel. Ela apenas se divide entre as duas partes, na exata proporção de como o negócio foi montado. Quanto mais permuta o comprador entrega, maior a fatia que cabe a ele, e menor a que cabe ao vendedor.

Isso significa que o comprador precisa entender uma coisa desde o primeiro dia, e é melhor ouvir isso de um consultor honesto do que descobrir na assinatura. Ele vai entregar a permuta, vai entregar o recurso próprio ou financiar a diferença, e ainda vai pagar comissão sobre a permuta que entregou. Esse valor precisa estar no planejamento dele desde o início.

A justificativa dessa prática é sólida. O trabalho da imobiliária na permuta é maior, e não menor. Ela precisa avaliar o bem oferecido, checar documentação, medir liquidez, precificar com honestidade, convencer o vendedor a aceitar e, depois, ainda cuidar do destino daquele bem. Existem, na prática, duas operações dentro de uma. E cada parte remunera aquilo que ela colocou na mesa.

A zona cinzenta do carro

Existe um ponto que merece transparência total, porque é onde o mercado varia. Como o carro tem liquidez quase de dinheiro, em muitas negociações ele acaba sendo tratado como recurso e não como permuta, e nesse caso a comissão sobre ele recai sobre o vendedor. Em outras negociações, ele é tratado como permuta comum, e o comprador paga.

Não existe certo e errado absoluto aqui. O que existe é uma decisão que precisa ser tomada de forma explícita, combinada entre as partes e registrada por escrito antes de qualquer assinatura. Toda dor de cabeça nesse tema nasce exatamente do que não foi combinado no começo.

As simulações completas, com números na mesa

Teoria sem número não convence ninguém. Então vamos colocar a conta na mesa, considerando seis por cento combinados, que é uma das taxas praticadas no segmento.

ImóvelPermutaRecursoComissão totalPaga o vendedorPaga o comprador
R$ 1.000.000R$ 400.000R$ 600.000R$ 60.000R$ 36.000R$ 24.000
R$ 2.000.000R$ 500.000R$ 1.500.000R$ 120.000R$ 90.000R$ 30.000
R$ 3.500.000R$ 1.500.000R$ 2.000.000R$ 210.000R$ 120.000R$ 90.000
R$ 5.000.000R$ 2.500.000R$ 2.500.000R$ 300.000R$ 150.000R$ 150.000

Simulações elaboradas pela curadoria VITALE considerando 6% combinados. Com 5% combinados, a lógica é idêntica e os valores caem proporcionalmente. O percentual é sempre definido no contrato de intermediação.

Gráfico 3. A divisão proporcional da comissão em cada simulação. A conta total é sempre a mesma, o que muda é quanto cabe a cada lado.

Leia a tabela de cima para baixo e a lógica salta aos olhos.

No imóvel de dois milhões com permuta de quinhentos mil, a permuta representa apenas um quarto do negócio. Por isso o comprador paga trinta mil e o vendedor paga noventa mil. A conta acompanha exatamente a composição do pagamento.

Já no imóvel de cinco milhões com permuta de dois milhões e meio, a permuta representa metade da operação. E aí a comissão se divide ao meio, cento e cinquenta mil para cada lado. Perfeitamente proporcional.

Em todos os casos, a soma fecha no mesmo lugar. Seis por cento sobre o valor cheio do imóvel. Nunca mais que isso, nunca menos. É essa previsibilidade que torna a prática justa e defensável para as duas partes.

O que verificar antes de aceitar uma permuta

Se você é quem vende e está avaliando uma proposta com permuta, esta é a lista que a nossa curadoria percorre antes de recomendar qualquer aceite.

1. Liquidez comparada. O bem oferecido vende mais rápido que o seu? Se a resposta não for um sim confortável, pare aqui.

2. Ticket real. Ele desce a escada de forma significativa ou apenas troca seis por meia dúzia?

3. Preço de mercado honesto. O bem está avaliado pelo valor real de venda ou pelo valor de desejo do dono? Essa é a maior fonte de conflito em permutas.

4. Documentação. Matrícula limpa, sem pendência, sem litígio, sem ônus, com IPTU e condomínio em dia.

5. Custo de carrego. Quanto custa segurar esse bem por seis ou doze meses até vender, somando condomínio, IPTU, manutenção e seguro?

6. Estado de conservação. Ele entra pronto no mercado ou exige investimento antes de ser vendável?

7. Tributação. A permuta tem tratamento tributário próprio, e a Reforma Tributária trouxe definições importantes sobre torna. Converse com o seu contador antes de fechar.

8. Comissão combinada por escrito. Defina desde o início quem paga o quê, incluindo o tratamento do carro, se houver.

Um adendo relevante sobre o item sete. Na Reforma Tributária, a permuta de imóvel por imóvel sem torna não sofre a incidência do IBS e da CBS, sendo tratada como simples troca de bens. Quando existe torna, ou seja, complemento em dinheiro, essa parcela é considerada compra e venda e passa a ser tributada. É mais um motivo para estruturar a operação com apoio profissional desde o começo.

A curadoria VITALE na sua permuta

Na VITALE, a permuta é uma das operações que mais exigem curadoria de verdade, e é onde a diferença entre um corretor e um consultor aparece com clareza. Avaliar liquidez, precificar com honestidade, checar documentação e conduzir duas partes até um acordo justo é um trabalho que exige leitura de mercado, e não sorte.

Somos a maior referência de alto padrão e luxo de Cuiabá e Várzea Grande, e conduzimos essas negociações com transparência total dos dois lados da mesa. Dizemos ao vendedor quando a permuta é uma jogada inteligente e quando ela é uma armadilha, e dizemos ao comprador, desde o primeiro dia, exatamente o que ele vai desembolsar.

Se você quer adquirir um imóvel e tem um bem que pode entrar como parte do pagamento, ou se está vendendo e recebeu uma proposta com permuta, a nossa equipe está pronta para colocar os números na mesa e conduzir essa análise ao seu lado. Conheça também o acervo de imóveis de alto padrão da VITALE.

Perguntas frequentes

O que é permuta de imóveis?

Permuta é a troca. No mercado imobiliário, ela acontece quando o comprador entrega um bem que já possui, como um imóvel ou um carro, como parte do pagamento de uma aquisição, no lugar de entregar apenas dinheiro. É uma ferramenta extremamente utilizada no alto padrão, porque quem compra luxo geralmente já tem patrimônio imobilizado.

Todo imóvel pode ser dado em permuta?

Não, e esse é o ponto que mais gera frustração. O critério que decide é a liquidez. O vendedor do imóvel de maior valor precisa enxergar que o bem oferecido vende mais rápido que o produto dele. Um bem pode valer muito e ainda assim ser recusado, porque valor e liquidez não são a mesma coisa.

Por que o vendedor aceita permuta se vai ficar com um bem para vender depois?

Porque ele desce a escada do ticket. Um imóvel de cinco milhões tem público muito restrito. Ao aceitar uma permuta de dois milhões e meio e receber o restante em recurso, ele passa a ter dinheiro em caixa e um ativo com muito mais compradores possíveis. Isso só funciona, porém, se o bem recebido tiver liquidez real.

Quais são as permutas mais aceitas no alto padrão?

Casas em condomínio fechado bem conservadas, apartamentos novos e bem localizados com área de lazer completa e taxa de condomínio equilibrada, e terrenos em condomínios consolidados. São produtos com demanda espontânea, custo de manutenção baixo e apelo estético, ou seja, exatamente o que o mercado procura sozinho.

Quais permutas o mercado costuma recusar?

Barracões e áreas comerciais mal localizadas, terrenos em loteamentos sem infraestrutura e distantes, imóveis em bairros periféricos com questão de segurança, apartamentos muito antigos sem área de lazer, prédios com taxa de condomínio extremamente alta e casas malcuidadas que exigem obra pesada. Não é julgamento sobre o bem, é sobre o tempo de venda dele.

Quem paga a comissão da imobiliária na permuta?

A prática de mercado consolidada é proporcional. O vendedor do imóvel de maior valor paga o percentual combinado, de cinco ou seis por cento, sobre aquilo que recebe em recurso, à vista ou financiado. O comprador paga o mesmo percentual sobre aquilo que entrega em permuta. Não existe lei definindo isso, e sim uma prática consolidada entre profissionais sérios.

A imobiliária ganha mais quando existe permuta?

Não. Ela recebe exatamente o mesmo percentual sobre o valor cheio do imóvel. O que muda é apenas a proporção de quem paga. Quanto mais permuta o comprador entrega, maior a fatia da comissão que cabe a ele e menor a que cabe ao vendedor. A soma fecha sempre no mesmo lugar.

Carro pode ser dado como permuta?

Pode, e funciona bem como complemento do negócio. O carro tem liquidez quase de dinheiro quando está em uma faixa de valor com boa procura. Conforme sobe de faixa, ele perde liquidez e se comporta como um imóvel de altíssimo padrão. Vale lembrar que carro desvaloriza enquanto o imóvel tende a valorizar, e por isso ele raramente é o eixo da operação.

Quem paga a comissão sobre o carro dado em permuta?

Esse é o ponto que mais varia no mercado. Como o carro tem liquidez próxima do dinheiro, em muitas negociações ele é tratado como recurso e a comissão recai sobre o vendedor. Em outras, ele é tratado como permuta comum e o comprador paga. Não há uma regra absoluta, e por isso essa definição precisa ser combinada de forma explícita e registrada por escrito antes da assinatura.

A permuta paga imposto?

A permuta tem tratamento tributário próprio e a Reforma Tributária trouxe definições importantes. A permuta de imóvel por imóvel sem torna não sofre incidência de IBS e CBS, sendo tratada como troca de bens. Quando há torna, ou seja, complemento em dinheiro, essa parcela é considerada compra e venda e passa a ser tributada. O ITBI e o imposto sobre ganho de capital seguem suas próprias regras, e a orientação do seu contador é indispensável.

A autoridade por trás do conteúdo
Maykol Vital
Maykol Vital
Sócio-fundador e CEO
Rodrigo Pacheco
Rodrigo Pacheco
Sócio-fundador e CMO

Conteúdo produzido pela curadoria VITALE, sob a direção dos sócios fundadores, com CRECI/MT 10.816-J.

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