O pedreiro da família é uma figura presente em boa parte das histórias de obras que deram errado no Brasil. Não porque pedreiros de família sejam necessariamente ruins ou desonestos. Mas porque a ausência de projeto técnico detalhado transforma qualquer construção, independentemente da competência de quem executa, em uma obra conduzida por decisões tomadas no momento, sem fundamento técnico e sem responsabilidade profissional formal sobre os resultados.
O primeiro perigo é estrutural. Uma fundação dimensionada sem laudo de sondagem do solo, executada com bitola de ferro escolhida pelo bom senso do pedreiro, pode ser insuficiente para as cargas que a construção vai gerar. Esse problema raramente aparece nos primeiros anos. Ele aparece uma década depois, quando fissuras progressivas nas paredes e desnível perceptível no piso revelam uma fundação que está cedendo lentamente. O custo de reforço de fundação em uma estrutura pronta é exponencialmente maior do que o custo de um projeto estrutural correto no início.
O segundo perigo é nas instalações. Instalações elétricas feitas sem projeto, com bitola de fio estimada e sem diagramas unifilares, são a causa mais frequente de incêndios residenciais no Brasil. Uma cozinha que vai receber forno elétrico, micro-ondas e lava-louças precisa de circuitos dedicados dimensionados para essas cargas específicas. Uma instalação feita sem esse dimensionamento vai gerar disjuntores disparando e, em casos mais graves, superaquecimento de fios que não se manifestam com alarme visível antes de um problema grave.
O terceiro perigo é jurídico. Uma construção feita sem projeto aprovado e sem responsável técnico registrado não consegue obter Habite-se. Sem Habite-se, o imóvel não pode ser averbado na matrícula. Sem averbação, ele não pode ser financiado por banco, e o seu valor de mercado e de revenda são significativamente reduzidos. A regularização posterior de uma obra feita sem projeto é um processo longo, custoso e em alguns casos inviável dependendo do que foi construído e da legislação municipal vigente.
O custo econômico da construção sem projeto técnico aparece em três momentos: durante a obra, em retrabalho e desperdício de material que um projeto teria evitado; durante a vida útil do imóvel, em manutenção mais frequente e mais cara; e no momento da venda, em um preço de mercado inferior ao de imóveis equivalentes com documentação regular.
A VITALE posiciona a regularidade construtiva e documental como um dos critérios inegociáveis da curadoria que realiza. Imóvel irregular não é curado, independentemente de qualquer outra qualidade que possa ter.
Vem ser VITALE.
