Toda obra tem imprevistos. Isso é uma verdade do setor que qualquer profissional honesto vai confirmar. Mas existe uma diferença importante entre o imprevisto genuíno, aquele que nenhum planejamento poderia antecipar, e o erro evitável, aquele que acontece por falta de projeto adequado, por escolha equivocada de equipe, por decisão precipitada de material ou por ausência de gestão. No alto padrão, os erros evitáveis têm um custo que raramente é apenas financeiro. Eles comprometem prazos, geram conflitos com fornecedores, degradam o resultado final e, em alguns casos, produzem problemas estruturais que só aparecem anos depois da conclusão da obra.
O primeiro e mais caro erro é iniciar a obra sem projeto completo. Construir com projetos incompletos, especialmente sem projeto estrutural, elétrico e hidráulico detalhados antes do início da obra, é a forma mais eficiente de garantir retrabalho. Quando a estrutura está pronta e o engenheiro elétrico entrega o projeto com pontos que a laje não previu, alguém vai pagar para corrigir. Sempre. Em obras de alto padrão, cada quebra de laje para passagem de eletroduto, cada desvio de tubulação hidráulica após a concretagem, cada modificação estrutural após a obra erguida tem um custo multiplicado pelo padrão do acabamento que vai por cima. Pagar pelo projeto completo antes de colocar a primeira pedra é o investimento com o maior retorno de toda a obra.
O segundo erro mais caro é a troca de materiais durante a obra. Cada mudança de material após a obra iniciada gera um efeito cascata de consequências. Mudar o piso depois de comprado implica em custo de devolução ou descarte, custo de aquisição do novo material, possível ajuste das argamassas e do contrapiso, possível incompatibilidade com o rodapé já escolhido. Em projetos de alto padrão, onde os materiais têm tempo de entrega longo e são frequentemente importados ou produzidos sob encomenda, uma mudança pode atrasar a obra em semanas ou meses. A decisão de materiais deve acontecer no papel, antes da obra, com amostras físicas aprovadas e contratos de fornecimento assinados.
O terceiro erro é contratar mão de obra pelo menor preço sem verificar referências de obras concluídas. Em construção de alto padrão, a execução é tão importante quanto o projeto e os materiais. Um piso de mármore importado assentado por um profissional sem experiência em pedras naturais vai apresentar trincas, manchas e variações de nível que não existiam no material original. Uma pintura de alto padrão executada sem a preparação correta da superfície vai mostrar imperfeições em poucos anos. O custo da reexecução, somado ao custo do material desperdiçado, é sempre muito maior do que a diferença de preço que levou à escolha do profissional mais barato.
O quarto erro é não contratar gerenciamento de obra independente. Em projetos de alto padrão com orçamento acima de R$ 1 milhão, o custo de um gerente de obra competente, que fiscaliza a execução, verifica os serviços antes dos pagamentos, controla o cronograma e antecipa problemas antes que se tornem emergências, é recuperado múltiplas vezes ao longo da obra. Deixar o empreiteiro ou o mestre de obras gerenciarem a si próprios é uma decisão que produz resultados previsíveis e quase sempre custosos.
O quinto erro é ignorar os acabamentos externos. Fachada, calçada, área de garagem, muro de fechamento, iluminação externa e paisagismo são frequentemente tratados como etapa final, quando o orçamento já está estressado. O resultado é que esses elementos, que são os primeiros que qualquer pessoa vê ao chegar ao imóvel, ficam abaixo do padrão do interior. Em uma residência de alto padrão, a coerência entre interior e exterior é inegociável.
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