Projetar o mercado imobiliário com uma janela de dez anos exige humildade sobre a incerteza que qualquer previsão de longo prazo carrega, e ao mesmo tempo rigor sobre as tendências que são suficientemente sólidas em seus fundamentos para sustentar análises com razoável grau de confiança. O que o mercado imobiliário brasileiro vai ser em 2035 não é completamente incognoscível. Ele está sendo construído agora, por forças que já são visíveis e cujas trajetórias já podem ser analisadas.
A primeira força que vai moldar o mercado até 2035 é a tecnologia, especificamente a inteligência artificial aplicada ao setor. O mercado global de IA no setor imobiliário deve crescer de 2,9 bilhões de dólares em 2024 para 41,5 bilhões de dólares até 2033, segundo dados da The Business Research Company, com taxa de crescimento de 30,5% ao ano. No Brasil, onde apenas 19% das imobiliárias usam IA de forma significativa em 2026, o espaço de adoção é enorme. A IA vai transformar a precificação de imóveis, com sistemas que avaliam ativos com margem de erro de aproximadamente 3%, a personalização do atendimento ao comprador, a qualificação de leads, a análise de crédito e a gestão de portfólios imobiliários. O profissional imobiliário que não dominar as ferramentas de IA até 2030 vai competir em grande desvantagem com os que dominam.
A segunda força é a demografia. A idade média da população brasileira está aumentando de forma consistente, criando uma demanda crescente por imóveis adaptados às necessidades de idosos com autonomia e renda: espaços acessíveis, em localizações próximas a serviços de saúde, com segurança reforçada e com comunidade de perfil similar. O conceito de senior living, que ainda é incipiente no Brasil, vai ganhar escala significativa até 2035, especialmente nas capitais regionais onde a combinação de envelhecimento populacional e crescimento econômico local cria condições favoráveis para esse segmento.
A terceira força é a tokenização imobiliária. A possibilidade de fracionar a propriedade de imóveis em tokens registrados em blockchain, vendidos e transacionados em plataformas digitais regulamentadas, vai democratizar o acesso ao investimento imobiliário e criar uma nova camada de liquidez para um mercado historicamente ilíquido. Essa transformação não vai eliminar o imóvel físico como ativo patrimonial, mas vai criar novos instrumentos que permitirão que investidores com menos capital participem do mercado de alto padrão de formas antes impossíveis.
A quarta força é a sustentabilidade regulatória. As pressões normativas sobre eficiência energética e impacto ambiental da construção civil vão se intensificar até 2035, o que significa que imóveis sem certificação ou sem sistemas de sustentabilidade vão sofrer uma depreciação relativa em relação aos que entregam essas características. O comprador de 2035 vai demandar sustentabilidade não como diferencial mas como mínimo esperado.
Para Cuiabá especificamente, o horizonte até 2035 é de continuidade do ciclo virtuoso que o mercado imobiliário de alto padrão vive desde 2020. O agronegócio como motor econômico não vai parar. A riqueza gerada pelo campo vai continuar demandando ativos imobiliários urbanos de qualidade. E o eixo dos Florais, hoje o mais valorizado da cidade, vai continuar concentrando os empreendimentos mais desejados enquanto a cidade cresce em direção a novos eixos de expansão que ainda estão em formação.
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